• Sue Hughes

Vegetais folhosos associados a menor declínio cognitivo


Comer uma porção de vegetais de folhas verdes por dia pode ajudar a diminuir o declínio cognitivo comum do envelhecimento, sugere um novo estudo.

No estudo prospectivo de uma população de idosos americanos da comunidade, o consumo de vegetais de folhas verdes foi linearmente associado a um declínio cognitivo mais lento.

A taxa de declínio entre aqueles que consumiam de uma a duas porções por dia foi o equivalente a ser 11 anos mais novo em comparação com aqueles que raramente ou nunca consumiam vegetais de folhas verdes, dizem os pesquisadores.

A pesquisa dos nutrientes dos quais os vegetais folhosos são uma fonte rica ou primária indicou que maior ingestão de ácido fólico, filoquinona e luteína foi associada linearmente com menor declínio cognitivo, e pareceu explicar a correlação protetora dos vegetais de folhas verdes com a alteração cognitiva.

"Isto se soma a evidências anteriores de que os vegetais folhosos podem retardar o declínio cognitivo, mas nós fomos adiante pesquisando quais nutrientes nesses vegetais podem ser responsáveis pela associação protetora", disse ao Medscape a autora principal, Martha Clare Morris, Rush University, em Chicago, Illinois.

"E identificamos alguns que parecem ser importantes – alguns dos quais ainda não eram conhecidos por estarem associados à saúde cerebral".

"Nossa principal mensagem é que os vegetais folhosos contêm tantos bons nutrientes, muitos deles associados a uma melhor função cognitiva", acrescentou ela, "por isso são alimentos que definitivamente devem estar presentes na dieta de todos, especialmente de indivíduos mais idosos".

O estudo foi publicado on-line na Neurology em 20 de dezembro.

Outros especialistas no campo ficaram animados com os resultados.

"Este estudo se soma à evidência convincente e rapidamente crescente de que você é o que come quando se trata de saúde cerebral", disse Richard Isaacson, Weill Cornell Medicine, em Nova York.

"De uma perspectiva clínica prática, a ingestão regular de vegetais de folhas verdes deve ser uma parte padrão de um paradigma de redução de risco para retardar o declínio cognitivo ao longo da vida".

Dr. Yian Gu, Columbia University e Taub Institute for Research on Alzheimer's Disease and the Aging Brain, em Nova York, acrescentou:

"Este é um estudo muito interessante que agrega à literatura existente um papel benéfico dos vegetais na desaceleração do declínio cognitivo. No geral, acredito que os resultados de estudos longitudinais como este podem ser muito encorajadores em termos de melhorar a nossa estratégia alimentar para prevenir o declínio cognitivo ou mesmo a demência em adultos mais idosos".

"No entanto, ainda pode ser muito cedo para recomendar aumentar o consumo de vegetais de folhas verdes, sem confirmação adicional nos estudos de intervenção", advertiu a Dra. Yian.

"Além disso, deve-se também levar em consideração a ingestão de outros alimentos. Aumentar a ingestão de vegetais, mas também aumentar a ingestão de "alimentos ruins" ao mesmo tempo pode não ser tão útil".

O Dr. Joseph Quinn, Oregon Health and Science University, Portland, chamou o artigo de "bom trabalho de um excelente grupo de pesquisadores".

"Sua mãe estava certa", disse o Dr. Quinn. "Coma seus vegetais, especialmente os de folhas verdes".

O estudo atual envolveu 960 indivíduos que participam do Rush Memory and Aging Project, que inclui voluntários de mais de 40 comunidades de aposentados, unidades de habitação públicas seniores e igrejas e centros para idosos na área de Chicago. Os participantes não tinham demência no início do estudo, e foram submetidos a avaliações clínicas anuais e questionários de frequência alimentar.

A média de idade dos participantes foi de 81 anos, 74% eram do sexo feminino e tinham um nível educacional médio de 14,9 anos. O seguimento médio foi de 4,7 anos.

A ingestão de vegetais de folhas verdes variou de uma média de 0,09 porções por dia para aqueles no quintil mais baixo de ingestão, para uma média de 1,3 porções por dia para o quintil mais alto.

Na média, os escores cognitivos globais da amostra diminuíram ao longo do tempo a uma taxa de 0,08 unidades padronizadas ao ano.

Em um modelo misto linear ajustado para idade, sexo, educação, participação em atividades cognitivas, atividades físicas, tabagismo e consumo de frutos do mar e álcool, o consumo de vegetais de folhas verdes foi associado a um declínio cognitivo mais lento. A taxa de declínio para aqueles no maior quintil de ingestão foi mais lenta em β = 0,05 unidades padronizadas (P = 0,0001) em comparação com o quintil mais baixo – o equivalente a ter 11 anos de idade a menos.

Não houve evidência de que a associação tenha sido mediada por condições cardiovasculares, e em análises adicionais ajustadas para sintomas depressivos, baixo peso (índice de massa corporal, IMC ≤ 20) e obesidade (IMC ≥ 30), condições que podem ser tanto causas quanto efeitos dos processos de demência, a estimativa de efeito permaneceu inalterada e estatisticamente significativa (β para o Q5 em relação ao Q1 = 0,04; P < 0,001).

Os pesquisadores também descobriram que as fontes alimentares de ácido fólico, filoquinona, luteína, nitrato, α-tocoferol e kaempferol estavam positivamente e significativamente associadas a taxas mais lentas de declínio cognitivo. Uma associação mais fraca foi observada com a ingestão dietética de β-caroteno.

Outra análise mostrou que o efeito protetor dos vegetais de folhas verdes no declínio cognitivo foi reduzido e não mais estatisticamente significativo após o ajuste para ingestão de filoquinona, luteína ou ácido fólico, sugerindo que esses nutrientes foram a fonte do efeito sobre o declínio cognitivo.

Para pesquisar a possibilidade de os resultados terem sido devidos a relatos imprecisos da ingestão alimentar por aqueles que tinham comprometimento cognitivo no início do estudo, os pesquisadores eliminaram 220 indivíduos com declínio cognitivo leve de base. Mas as estimativas de efeito mudaram minimamente e permaneceram estatisticamente significativas.

Os resultados também permaneceram os mesmos após a exclusão de 144 participantes cujo consumo de vegetais de folhas verdes aumentou ou diminuiu ao longo do estudo.

Os autores observam que seus resultados são apoiados por dois grandes estudos prospectivos anteriores que examinaram as relações de diferentes tipos de vegetais no declínio cognitivo. Em ambos estudos o consumo de vegetais de folhas verdes, incluindo espinafre, repolho, couve e alface, teve a associação mais forte com declínio cognitivo lento.

Eles afirmam que os nutrientes aparentemente protetores neste estudo podem ter mecanismos de ação independentes, que protegem o cérebro de forma sinérgica. Eles destacam que os níveis séricos de carotenoides foram associados a lesões menos graves na substância branca periventricular, particularmente em idosos tabagistas; a luteína mostrou reduzir a peroxidação de fosfolípidos em eritrócitos humanos e atenuar o estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e neuroinflamação. Além disso, o ácido fólico inibe a fosforilação da tau e outras patologias da doença de Alzheimer.

O estudo foi financiado por doações R01 AG031553 e R01 AG17917 e pelo acordo de cooperação 58-1950-7-707 do US Department of Agriculture Agricultural Research Service. Os pesquisadores não declararam relações financeiras relevantes.

Neurology. Publicado on-line em 20 de dezembro de 2017. Resumo

Medscape.

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