• Lisa Rapaport

Câncer de mama e exercício


Um novo estudo sugere que o exercício pode ajudar as sobreviventes de câncer de mama com sobrepeso e obesidade a reverterem a síndrome metabólica.

A síndrome metabólica, que também inclui condições como colesterol elevado e excesso de gordura abdominal, é exacerbada pela obesidade e um estilo de vida sedentário, bem como pela quimioterapia. O estudo atual se concentrou em 100 mulheres com sobrepeso e obesas que eram sedentárias e tinham completado recentemente um tratamento para câncer de mama.

Em um experimento de 4 meses, os pesquisadores distribuíram aleatoriamente as participantes para manter seus níveis de atividade habituais ou para fazer exercícios supervisionados 3 x por semana.

Quando se uniram ao estudo, 77% das mulheres preencheram os critérios para a síndrome metabólica. No final do experimento somente 15% das participantes do grupo de exercícios ainda tinha esse diagnóstico, comparado com os 80% do grupo inativo.

“A doença cardíaca é a principal causa de morte nas sobreviventes de câncer de mama e agora mostramos que o exercício melhora os fatores de risco associados à doença cardíaca”, disse a principal autora do estudo, Cristina Dieli-Conwright, diretora do Centro Integrativo de Pesquisa Oncológica em Exercício na Universidade da Califórnia do Sul em Los Angeles.

“O exercício faz melhorar a função do coração, dos vasos sanguíneos, dos pulmões e músculos, e isso, combinado com a perda de gordura, pode aliviar o estresse no corpo causado pela obesidade”, disse Dieli-Conwright por e-mail.

“Este processo é crítico para as sobreviventes de câncer de mama que podem ser obesas, mas que também estão sofrendo os efeitos colaterais do tratamento, como a fadiga, depressão e comportamento sedentário”, acrescentou Dieli-Conwright. “Elas agora estão em maior risco de doença cardíaca e podem se beneficiar muito com o exercício”.

Pesquisas anteriores associaram a quimioterapia com antraciclina ao enfraquecimento do músculo cardíaco. A pesquisa também ligou a radioterapia a distúrbios do ritmo cardíaco e a danos estruturais nas artérias e válvulas cardíacas.

As mulheres no estudo atual que foram designadas para o grupo de exercícios receberam orientação individual através de exercícios que incluíam treinamento de resistência com pesos, bem como atividades aeróbicas de intensidade moderada.

Além de reverter a síndrome metabólica, esses exercícios também foram associados com a diminuição na pressão arterial, aumento do bom colesterol (HDL) e diminuição dos triglicerídeos.

“Três meses após a interrupção dos exercícios, as mulheres no grupo de exercícios ainda apresentaram mais melhoras na síndrome metabólica do que as mulheres que permaneceram sedentárias ao longo do estudo”, informaram os pesquisadores online, em 22 de Janeiro no Journal of Clinical Oncology.

“Uma limitação do estudo é que os resultados dos exercícios supervisionados podem não refletir o que aconteceria se as mulheres tentassem se exercitar por conta própria”, observam os pesquisadores.

“Outra desvantagem é que o estudo não examinou os efeitos do exercício com que tipo de câncer de mama a mulher teve, e isso pode influenciar o impacto do exercício na síndrome metabólica”, disse Linda Vona-Davis, uma pesquisadora da West Virginia University Health Sciences Center, em Morgantown.

“O exercício e a alimentação saudável podem ser igualmente eficazes”, disse Vona-Davis por email, que não estava envolvida no estudo. “Seja como for, a adoção de um estilo de vida fisicamente ativo mostrou melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida em mulheres com câncer de mama”.

J Clin Oncol 2018.

Reuters Health Information © 2018

Cite this article: Even Obese Breast Cancer Survivors May Cut Heart Disease Risk With Exercise - Medscape - Jan 31, 2018.

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