• Dra. Veronica Hackethal

Refrigerante diet aumenta risco de retinopatia diabética


O consumo de refrigerantes diet pode aumentar o risco de retinopatia diabética proliferativa – um tipo grave de doença ocular diabética que pode levar à cegueira – de acordo com um estudo publicado on-line na edição de setembro/outubro do periódico Clinical and Experimental Ophthalmology.

O estudo é o primeiro que avaliou a relação entre o consumo de refrigerantes e as complicações microvasculares do diabetes.

“Na nossa amostra clínica, os pacientes diabéticos que consumiram mais de quatro latas, ou 1,5 litros, de refrigerantes diet por semana tiveram risco duas vezes maior de ter retinopatia diabética proliferativa”, disse ao Medscape a Dra. Eva Fenwick, Ph.D., primeira autora do estudo, especialista em pesquisa clínica no Singapore Eye Research Institute e professora assistente na Duke-NUS Medical School, em Cingapura.

Curiosamente, o estudo não encontrou correlação entre o consumo de refrigerantes normais, adoçados com açúcar, e o aumento do risco de retinopatia diabética.

Devido ao desenho transversal deste estudo, serão necessários mais estudos longitudinais para determinar se os refrigerantes diet são ou não uma alternativa saudável às bebidas adoçadas com açúcar, acrescentou a pesquisadora.

Os refrigerantes diet têm sido vendidos como mais saudáveis do que os normais, mas uma quantidade crescente de evidências tem sugerido que os adoçantes artificiais também podem ser prejudiciais à saúde.

Pesquisas anteriores estabeleceram uma relação entre o refrigerante diet e o aumento do risco cardiometabólico e do diabetes tipo 2.

Apesar dos mecanismos biológicos ainda não serem conhecidos, a hipótese de alguns pesquisadores é que as bebidas diet “enganam” o corpo, que entende que consumiu uma quantidade maior de energia, e não o valor real.

Isso pode levar a aumento da fome e maior ingestão de calorias no longo prazo.

O estudo incluiu 609 adultos com diabetes tipo 1 (N = 73; 12,5%), diabetes tipo 2 (N = 510; 87,5%) ou diabetes de tipo não identificado (N = 26; 4,3%) provenientes de um hospital oftalmológico terciário, entre os anos de 2009 e 2010.

A média de idade dos participantes foi de 64,6 anos. Todos vieram do Diabetes Management Project, um estudo transversal com adultos anglófonos com diabetes em Melbourne, Austrália.

Os participantes foram avaliados com medidas objetivas de retinopatia diabética e edema macular diabético com técnicas padronizadas para determinar o efeito dos refrigerantes nas complicações microvasculares do diabetes.

Os participantes preencheram um questionário com 145 perguntas sobre a frequência de consumo de alimentos, no qual informaram o próprio consumo de refrigerantes.

Da amostra total, 46,8% (N = 285) tomaram refrigerantes com açúcar e 31,2% (N = 190) tomaram refrigerantes diet.

Quase um quarto dos pacientes (24%, N = 146) tinham retinopatia diabética proliferativa.

Comparado com os que não beberam refrigerantes, o alto consumo de refrigerantes diet (mais de quatro latas/garrafas de 375 mL por semana) mostrou associação independente com aumento de 2,5 vezes da chance de retinopatia diabética proliferativa (odds ratio (OR) = 2,51; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 1,05 a 5,98).

Os pesquisadores ajustaram os resultados pelos fatores de risco conhecidos de retinopatia diabética, como duração da doença, tabagismo e índice de massa corporal (IMC).

O consumo de refrigerantes com açúcar não foi relacionado com o edema macular diabético, nem com a existência ou a gravidade da retinopatia diabética.

Os autores destacaram que este último resultado está alinhado a outras pesquisas feitas anteriormente.

Alguns estudos mostraram uma associação entre o consumo de refrigerantes diet (mas não os refrigerantes com açúcar) e as complicações vasculares do diabetes.

Outros estudos não conseguiram confirmar estes resultados. Os autores também mencionaram várias possíveis explicações para estas discrepâncias.

“Nossos achados, de que o refrigerante com açúcar não está associado a aumento do risco de retinopatia diabética proliferativa, poderiam ser atribuídos ao pequeno número de participantes que bebem este tipo de refrigerante com muita frequência.

Precisamos juntar a categoria de alta frequência de consumo com a de consumo moderado, o que pode ter mascarado a relação real”, disse a Dra. Eva ao Medscape.

Por se tratar de um estudo transversal, os pesquisadores não puderam determinar se as pessoas que informaram consumir refrigerantes diet tinham tomado refrigerantes normais previamente, e se haviam alterado seus estilos de vida depois serem diagnosticadas com retinopatia diabética.

Apesar da análise ter sido ajustada para mudanças alimentares nos últimos cinco anos, este comportamento poderia fazer com que a associação entre os refrigerantes diet e a retinopatia diabética fosse superestimada.

“Embora os resultados do nosso estudo devam ser interpretados sob o prisma de várias limitações, estes resultados se somam ao que conhecemos sobre os efeitos deletérios das bebidas diet para vários desfechos em saúde, como as doenças cardiovasculares, o diabetes e a síndrome metabólica”, disse a Dra. Eva.

“Se considerarmos que os refrigerantes diet são vistos como uma alternativa saudável ao refrigerante com açúcar, os médicos e os pacientes devem estar cientes de que os refrigerantes diet podem trazer outros riscos à saúde”, concluiu a pesquisadora.

Os autores informaram não ter conflitos de interesses relevantes. Clin Exp Ophthalmol. 2018;46:767-776. Texto completo https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/ceo.13154

Citar este artigo: Refrigerante diet aumenta risco de retinopatia diabética - Medscape - 14 de janeiro de 2019.

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