• Marlene Busko

Incluir azeite de oliva na alimentação pode reduzir risco aterotrombótico


Houston — Jovens obesos saudáveis que consumiram azeite de oliva pelo menos uma vez por semana apresentaram plaquetas com menor probabilidade de coagulação quando expostas a agonistas da ativação plaquetária em um novo estudo.

Ruina Zhang, uma estudante de medicina da NYU School of Medicine, em Nova York, apresentou esses achados em um pôster durante o congresso American Heart Association (AHA) Epidemiology and Prevention | Lifestyle and Cardiometabolic Health Scientific Sessions 2019.

“Ter plaquetas com maior predisposição a se tornarem ativadas é indicativo de um maior risco de trombo e as complicações mais temidas são o infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral”, disse ao Medscape o autor sênior, Dr. Sean P. Heffron, médico e professor assistente da NYU School of Medicine e do NYU Center for the Prevention of Cardiovascular Disease.

Uma dieta mediterrânea, que inclui azeite de oliva, observou, foi associada a melhores resultados cardiovasculares em várias populações.

Em novembro de 2018, a Food and Drug Administration (FDA) norte-americana permitiu que as empresas adicionassem aos rótulos que “evidências científicas não conclusivas” sugerem que o consumo diário de aproximadamente uma colher de sopa e meia (20 g) de óleos como o azeite de oliva, que contém pelo menos 70% de ácido oleico podem reduzir o risco de doença coronariana.

No entanto, “até onde sabemos”, disse Ruina em uma declaração da AHA, “este é o primeiro estudo a avaliar os efeitos da composição da dieta, especificamente do azeite de oliva, na função plaquetária em pacientes obesos”.

Entre as limitações do estudo, o Dr. Sean admitiu, estão: ter sido um estudo transversal observacional, no qual a frequência do consumo de azeite foi relatada pelo participante e o fato de não ter sido indicada a quantidade consumida.

Ainda assim, ele acrescentou: “Eu acho que isso é uma boa informação suplementar para a totalidade das informações que apoiam o benefício cardiovascular e aterosclerótico/aterotrombótico de uma dieta mediterrânea”.

“Mesmo nos pacientes com obesidade grave, um estilo de vida saudável, que inclua uma alimentação rica em azeite de oliva, pode ajudar a reduzir o risco aterotrombótico”, concluíram os pesquisadores.

Azeite de oliva, plaquetas e obesidade

Para pesquisar a associação entre a frequência de ingestão de azeite e a ativação plaquetária, o grupo realizou uma subanálise de um estudo em andamento sobre a atividade plaquetária em pacientes obesos avaliados para cirurgia bariátrica por derivação gástrica em Y de Roux ou gastrectomia vertical no NYU Center for the Prevention of Cardiovascular Disease.

Eles identificaram 87 homens e mulheres de 18 a 55 anos de idade com índice de massa corporal (IMC) ≥ 40 kg/m² ou ≥ 35 kg/m² e pelo menos uma comorbidade relacionada com a obesidade, sem doença cardiovascular (DCV) conhecida, não-fumantes e que não estavam em uso de hipolipemiantes, antidiabéticos, anticoagulantes ou antiplaquetários.

Os pacientes tinham média de idade de 30 anos, IMC médio de 42 kg/m² e pressão arterial média de 124 mmHg x 77 mmHg.

Com base nas respostas de um questionário de frequência alimentar modificado do National Cancer Institute, os pacientes foram classificados de acordo com o consumo de azeite: menos de uma vez por semana (20 pessoas), de uma a três vezes por semana (34 pessoas) ou pelo menos quatro vezes por semana (33 pessoas).

Os pacientes também forneceram amostras de sangue coletadas em jejum para exame de citometria de fluxo.

Os pesquisadores adicionaram anticorpos marcados à P-selectina, um marcador de liberação de grânulos alfa, e ao PAC-1, receptor ativado IIb/IIIa – ambos marcadores de superfície de plaquetas ativadas – a diferentes amostras de sangue.

Eles mediram a expressão de PAC-1 e P-selectina indicada pela intensidade média de fluorescência (IMF) sem a presença de um agonista da atividade plaquetária e com a adição de 0,4 uM de epinefrina ou 0,025 U de trombinapara ativar as plaquetas.

O grau de expressão de PAC-1 e P-selectina no início do estudo, sem agonista de ativação plaquetária, foi semelhante nos três grupos.

No entanto, os indivíduos que relataram consumir azeite de uma a três vezes por semana ou pelo menos quatro vezes por semana apresentaram respostas (graduais) menores aos agonistas de ativação plaquetária do que aqueles que consumiram azeite menos de uma vez por semana (P < 0,05 para todos).

Não houve diferenças significativas na atividade plaquetária relacionada à frequência de consumo de carne vermelha, ovos, manteiga ou margarina.

Os pesquisadores especulam que compostos fenólicos no azeite, que também são encontrados em alimentos como chocolate ou mirtilo, podem alterar o conteúdo de fosfolipídios na membrana plaquetária, tornando as plaquetas menos suscetíveis à ativação.

O estudo em andamento também examinará a relação entre o consumo de azeite e a ativação plaquetária aos seis e 12 meses após a cirurgia bariátrica.

Mais trabalhos são necessários para entender o potencial mecanismo e para avaliar se o exercício e outros alimentos em uma dieta mediterrânea têm um efeito aditivo sobre a ativação plaquetária na obesidade, disseram os autores.

A pesquisa foi financiada pelos National Institutes of Health e pelo NYU-HHC Clinical and Translational Science Institute. Os autores informaram não ter relações financeiras relevantes.

American Heart Association (AHA) Epidemiology and Prevention | Lifestyle and Cardiometabolic Health Scientific Sessions 2019: Abstract P335. Apresentado em 07 de março de 2019.

Citar este artigo: Incluir azeite de oliva na alimentação pode reduzir risco aterotrombótico - Medscape - 17 de abril de 2019.

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