• Gayle Nicholas Scott, PharmD

Realidades dos suplementos: o poder dos polifenóis está na comida e na bebida, não em forma de pílul


Os fitoquímicos são amplamente comercializados como suplementos dietéticos. As propagandas desses suplementos muitas vezes contêm termos como “polifenol”, “bioflavonóides” e uma infinidade de outros termos que podem parecer vagos ou misteriosos para a maioria. Mas o que estes termos realmente significam?

Os fitoquímicos são produtos químicos de plantas (sendo phyto a palavra grega para planta) e compreendem uma variedade de substâncias biologicamente ativas. Exemplos de fitoquímicos incluem os fitosteróis (por exemplo o sitosterol), que são quimicamente relacionados ao colesterol; os terpenos (por exemplo, eugenol); e os indóis, que podem mediar o proposto efeito anticancerígeno dos vegetais crucíferos, como o brócolis.

A classe de fitoquímicos mais estudada são os polifenóis. O objetivo desta breve revisão da farmacognosia é descrever as várias classes de polifenóis e subclasses de flavonoides, bem como fornecer alguns exemplos de alimentos nos quais eles podem ser encontrados.

Para refrescar as mentes desafiadas pela química orgânica, os polifenóis são caracterizados pela presença de múltiplos anéis fenólicos. Eles são produzidos por plantas para se defenderem contra a radiação ultravioleta ou patógenos. Os polifenóis são responsáveis por algumas das cores, sabor, odor e amargor das frutas, legumes, grãos e bebidas como o chá e café. Eles funcionam como antioxidantes e foram relatados por conferir benefícios à saúde, incluindo proteção contra doenças cardiovasculares, câncer, infecções e uma variedade de outras condições.

O teor de polifenóis nos alimentos é afetado por múltiplas variáveis, incluindo o grau de maturação na colheita, chuva e exposição ao sol. As concentrações de polifenóis também são afetadas por fatores não inerentes aos próprios alimentos, como a forma como são armazenados ou cozidos.

Várias centenas de polifenóis foram identificados em plantas comestíveis.

Os ácidos fenólicos dos alimentos são divididos em ácidos hidroxibenzóico e hidroxiciânico. Um exemplo do ácido hidroxibenzóico é o ácido gálico, que ocorre no chá. Os ácidos hidroxiciânicos, exemplos dos quais incluem ácido cafeico em mirtilos e outras frutas e ácido ferúlico em cereais, raramente aparecem em alimentos na forma livre.

Os estilbenos são uma pequena parte da dieta humana. Isso inclui o estilbene melhor estudados, o resveratrol, que é encontrado no vinho tinto e é promovido para retardar o envelhecimento e reduzir o risco de mortalidade. Infelizmente, a biodisponibilidade do resveratrol é baixa.

As lignanas são encontradas nas maiores concentrações na linhaça e são metabolizadas pela flora intestinal.

O flavonoide (também chamado de bioflavonoides), nomeado pela cor amarela que é característica da classe, é o principal componente de coloração de plantas com flores e é amplamente distribuído nos alimentos. Os flavonoides afetam a cor e o sabor dos alimentos e também têm um papel na prevenção da oxidação de gordura e proteção de enzimas e vitaminas. O primeiro flavonoide foi isolado de laranjas em 1930 e foi chamado de vitamina “p”. Mais tarde, a substância foi identificada como rutina, um flavonoide. Nas décadas seguintes, mais de 4000 flavonoides foram identificados.

Os flavonóis são os bioflavonoides mais abundantes nos alimentos. Alimentos ricos em flavonóis incluem cebola, couve, alho-poró, brócolis e mirtilos, além de vinho tinto e chá. A produção de flavonol é estimulada pela luz solar, portanto suas concentrações mais altas geralmente estão nas partes externas das plantas.

As flavonas são componentes menos frequentes de frutas e vegetais. Até o momento, os únicos alimentos identificados com quantidades significativas de flavonas são a salsa e o aipo.

Flavanonas estão presentes em altas concentrações em frutas cítricas, e em menores quantidades em tomates e plantas aromáticas, como hortelã.

As isoflavonas têm semelhanças estruturais com a molécula de estrogênio, o que confere capacidade de se ligar aos receptores de estrogênio, embora as isoflavonas não sejam esteroides. As isoflavonas também são chamadas de “fitoestrógenos”. A maioria das isoflavonas dietéticas são da soja e produtos da soja. O calor, que é usado para produzir o leite de soja, e a fermentação, que é usada para produzir alimentos como missô e tempeh, resultam em mudanças químicas em sua estrutura. A quantidade de isoflavonas na soja e produtos da soja varia muito com as condições de cultivo e processamento.

Os flavanóis, também chamados de flava-3-óis (e não devem ser confundidos com os flavonóis), estão presentes nos alimentos na forma de “catequinas”. As fontes alimentares mais ricas são o chá verde e o chocolate, com altas quantidades encontradas também no vinho tinto, damasco e outras frutas. Os alimentos também contém proantocianidinas, também chamadas de “taninos condensados”, são a fonte do sabor adstringente dos frutos (por exemplo, uvas, pêssegos, bagas) e certas bebidas (por exemplo, chá, cerveja, sidra); o amargor do chocolate; e, junto com outros polifenóis, o sabor e a sensação na boca do vinho tinto.

As antocianinas são pigmentos que conferem cores azuis, roxas, vermelhas e rosas à flores, frutas e vegetais. Algumas antocianinas são incolores, dependendo do pH. As antocianinas são mais abundantes em frutas, principalmente na casca, mas também na polpa de frutas vermelhas, como cerejas e morangos.

Exemplos de polifenóis e suas fontes alimentares comuns:

1- Ácidos fenólicos

  • Ácido gálico - Chá verde, chá preto

  • Ácido cafeico - Mirtilos, café, tomilho

  • Ácido ferúlico - Linhaça, feijão branco

2- Estilbenos

  • Resveratrol - Vinho, amendoim

3- Lignanas

  • Secoisolariciresinol - Linhaça, gergelim

4- Flavonóides

5- Flavonóis

  • Quercetina - Muitos alimentos (ex: feijão branco, alcaparra, couve, cebola)

  • Kaempferol - Muitos alimentos (ex: chá, brócolis, repolho, couve, feijões, morango)

6- Flavonas

  • Apigenina - Salsa, aipo

  • Luteolina - Aipo, brócolis

7- Flavanonas

  • Hesperetina - Toranja, laranjas, pele do tomate

  • Naringenina - Limões, laranjas

8- Flavanóis

  • Catequina - Chá, chocolate

  • Epicatequina - Chá, chocolate

9- Isoflavonas

  • Daidzeina - Soja, derivados de soja

  • Genisteína - Soja, derivados de soja

10- Antocianinas

  • Cianidina -Cerejas, framboesas, mirtilos

  • Delfinidina - Mirtilos, vinho tinto, framboesas

  • Pelargonidina - Framboesas, cerejas

Estudos observacionais sugerem que a alta ingestão de frutas e vegetais proporciona múltiplos benefícios para a saúde; no entanto, o valor dos constituintes isolados de polifenóis dos alimentos não foi estabelecido. A biodisponibilidade e farmacocinética dos polifenóis individuais são amplamente desconhecidas, e a dose ideal (se houver), não foram avaliadas em pesquisas clínicas bem planejadas. Os médicos devem educar os pacientes que uma dieta rica em frutas, vegetais e grãos é preferível aos suplementos individuais de polifenóis.

Cite this article: Supplementary Facts: Polyphenols' Power Is in Food and Drink, Not in Pill Form - Medscape - Nov 21, 2016.

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